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  Mochilão



na ilha maravilha

"Se nossa vida fosse dominada  por uma busca da felicidade, talvez poucas atividades fossem tão reveladoras da dinâmica dessa demanda - em todo o seu ardor e seus paradoxos - como nossas viagens. Elas expressam - por mais que não falem - uma compreensão de como poderia ser a vida, fora das restrições do trabalho e da luta pela sobrevivência"
Alain de Botton
 
 
Surpreendidas pela intensa chuva que quase submergia a capital potiguar naquele 27 de janeiro, chegamos a pensar em desisitir da viagem a Fernando de Noronha. Afinal, a chuva nos acompanhara durante toda a temporada de verão e, segundo as notícias veiculadas pela imprensa, vinha causando transtornos na região. Houve até um pequeno acidente com um avião da Varig ao pousar no aeroporto Augusto Severo, o mesmo do qual partiríamos dois dias depois.
Por motivos inexplicáveis, porém bem-vindos, o tempo melhorou e na quase madrugada do dia 29 lá estávamos nós conferindo a moderna arquitetura do Aeroporto Internacional Augusto Severo.
 
 
 
Na pista quase seca, podíamos ver o avião da Fly, um ATR-42,  segundo nosso amigo distante Mario Eugênio, contatado por nosso amigo mais próximo Coaraci.
Foi a bordo desse turbo hélice de última geração para 48 passageiros, fabricado pelo consórcio Airbus, que seguimos para o sonhado paraíso de águas claras e paisagens estonteantes: Fernando de Noronha.
 
 
A viagem foi tranqüila, com direito até a uma visita à cabine de comando, onde  piloto e co-piloto navegavam despreocupados.
Chegamos. Tempo bom. Taxa de permanência paga. Traslado para a Pousada Morada do Sol. Os avisos de praxe: lugares para visitar, equipamentos necessários, onde comer, vida noturna...
 
Simples, como quase tudo na ilha, a Pousada Morada do Sol tem uma boa localização. Rumo à Praia da Conceição, o curto e acidentado caminho é suavizado pelas pelas belíssimas paisagens e pela presença de mimosas e desconhecidas flores campestres.
 
 
Fiéis ao nosso espírito investigativo e seguindo a idéia de Nietzsche, para quem viagens devem, acima de tudo, revelar-se "enriquecedoras da vida", lançamos a pergunta:
 
ALGUÉM CONHECE ESSA FLOR?
 
(continua...)


Escrito por Ana às 17h28
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na ilha maravilha (continuação)

 
Fernando de Noronha é item obrigatório em qualquer guia de viagens pelo Brasil. Uma breve pesquisa num deles nos mostrará fotos do Morro do Pico, da Baía dos Porcos, do Rochedo dos Dois Irmãos, da premiada Baía do Sancho, para não falar de golfinhos, tartarugas marinhas, atobás e outros bichos, que todos já viram até mesmo nos relatos anteriores.
Queremos mostrar outros ângulos desse paraíso.
Começamos, pois, com a foto de Dumbo, aquele simpático e orelhudo personagem de Disney, que conseguiu se transformar na principal atração de um circo usando como asas suas enormes orelhas.
 
 
Dumbo nos faz lembrar as criaturas aladas da mitologia. E assim chegamos Esteno, Euríale e Medusa, as três irmãs Górgonas que tinham serpentes em vez de cabelos, presas pontiagudas, mãos de bronze e asas de ouro. Medusa, a única mortal dentre elas, tinha o poder de transformar em pedra qualquer ser que olhasse para sua cabeça.
 
 
 
Confiram, estamos certas de que, nesse momento, algum guardião da Praia de Atalaia acabara de fitar as serpentes de nossa Medusa do século XXI.
Bem, uma cabeça dessas era sem dúvida digna de um rei. Foi isso que levou Perseu a degolar a Medusa para oferecê-la ao rei Polidectes. Mas o que ele não esperava era que, de seu pescoço cortado, emergisse Pégaso, aquele cavalo alado que, depois de domesticado, foi enviado pelos deuses a Belerofonte, para auxiliá-lo na luta contra a Quimera.
 
 
E, nesse caso, parece que nosso "Pégaso" está muito pouco interessado em lutar contra a Quimera e está mais para os versos da música de Moraes Moreira e Jorge Mautner:
"Pégaso, Pégaso, Pégaso, Pégaso
Pega o azul, pega o azul"
 
(continua...)


Escrito por Ana às 17h27
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na ilha maravilha (continuação)

 
Foi também na mitologia que Sandro Botticelli, pintor florentino do final do século XV, encontrou o tema para suas mais célebres pinturas. Revejam "O nascimento de Vênus", pintado em 1485:
 
 
Essa alegoria, pintada em têmpera sobre tela, mostrando a deusa do amor e da beleza nascida da espuma do mar fecundada pelo sangue de Urano reaparece agora numa releitura digital feita em plena Praia da Conceição, ao pé do Morro do Pico, em 2004. Vejam com seus próprios olhos:
 
 
Depois desse passeio pela mitologia e pela arte, voltemos ao nosso passeio pela bela Fernando de Noronha, que colocou na boca de Américo Vespúcio as palavras: "O paraíso é aqui!" 
 
 
 
Quem vê isso é obrigado a concordar que nosso velho navegador tinha razão. O paraíso só pode mesmo  ser ali. E os surfistas sabem disso...
 
 
E deve ser para celebrar essa alegria paradisíaca que as águas das praias de Atalaia e e do Leão dançam alegres ao som das ondas...
 
 
 
 
... e que as espumas claras Baía dos Porcos e da praia de Calhetas fazem contraste com o tom verde e azul das águas do Atlântico.
 
 
 
Tudo isso sob o olhar atento e apaixonado do viril Morro do Pico condenado para sempre a ver de longe os voluptuosos seios do Rochedo dos Dois Irmãos.
 
 
 
 
Pode existir algo mais romântico?


Escrito por Ana às 17h26
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Edição extraordinária

Quem tem acompanhado nossos relatos da viagem ao nordeste ainda deve se lembrar desses trechos:
 

Momentos depois estávamos na estrada, rumo a Natal. Chovia fininho e no caminho paramos para tirar fotos de um imenso aviário natural. Disse-nos um nativo que eram "gauços"...

 

 

 

 
Bom, e até hoje aquelas aves que esvoaçavam na estrada entre Caicó e Catolé permanecem uma incógnita para nós. "Gauços"... garças, talvez. Nem mesmo uma pesquisa no Google Imagem pôde jogar alguma luz sobre nossa dúvida. As garças que aparecem ali têm pouca semelhança com as "nossas". Ainda na tentativa de identificá-las, disponibilizamos mais algumas imagens:
 
 
Pois, como quem espera sempre alcança, aqui estamos nós com uma resposta de peso. Ela nos chegou através de Veronica, nossa amiga geóloga de plantão, que rastreou junto a sua equipe e acabou identificando "essa ave frágil que avoa no sertão", através de sua colega de trabalho Ana Laura, que, por sua vez, contatou alguém que entende... Aí vai, na íntegra, o laudo do especialista: ...trata-se de uma garça-vaqueira "Bubulcus (ou Bulbucus) ibis".

Ela é migratória (mas tenho observado que na nossa região tem se tornado residente) e muito comum em áreas de pastagens.

Luciano Bonatti Regalado - Biólogo - Analista Ambiental Floresta Nacional de Ipanema Iperó - SP Tel. (15) 266-9090 luciano.regalado@ibama.gov.br

IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis http://www.ibama.gov.br

Agora, já devidamente identificada, segue mais uma imagem de garça-vaqueira:

 

A Veronica, Ana Laura e Luciano, os nosso mais sinceros agradecimentos na solução desse mistério tão intrincado.



Escrito por Ana às 17h23
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No reino animal - 2

SEGUNDO CAPÍTULO:
 
DA TERRA E DO AR...
 
Entre o céu e o mar de Fernando de Noronha, nossos olhos se maravilharam diante do interminável desfile das aves marinhas.
Pudera, ali estão as maiores colônias reprodutivas desses seres que, ao contrário de Ícaro, podem alçar seu vôo tanto próximo do sol quanto da água, sem com isso sofrer a punição que foi imposta ao filho de Dédalo. 
 
 
 
Cuidando seus ninhos ou cruzando os céus,  atobás e  rabos-de-junco, participam de uma incessante dança  com que a  natureza presenteia os que se põem a observá-la.
 
 
 
Pedras e árvores emprestam espaços para fregatas e viuvinhas - brancas e negras - construírem seus ninhos e abrigos.
 
 
 
 Em Atalaia esse pobre pássaro ferido, condenado a não mais voar pelos céus do arquipélago, repousa na areia molhada pela chuva...
 
 
Ainda no arquipélago, é fácil encontrar um pequeno e inofensivo lagarto. Seu nome: mabuia. Ela pode aparecer dentro do seu quarto ou mesmo admirando o pôr-do-sol ao seu lado, assim como quem não quer nada... Vejam essa, que lampeira!
 
 
Esteve conosco durante o pôr-do-sol no Mirante do Boldró e talvez seja prima de uma outra que morava atrás do nosso guarda-roupa...
 
O mais curioso dos animais terrestres que vimos durante nossa viagem não é ave nem réptil. É um mamífero perfeitamente dotado para viver no deserto, que pode deslocar-se por quilômetros, durante dias, sem demonstrar esgotamento físico e que, por isso mesmo, é muito usado pelo homem como transporte.
Pode parecer incrível, mas em Genipabu, no Rio Grande do Norte, topamos com belos espécimes de ...CAMELOS. Ou seriam DROMEDÁRIOS? Parece que há controvérsias. A verdade é que os bichinhos vieram do sul da Espanha para dar duro nas nossas belas dunas.
 
 
A Revista Próxima Viagem diz que a iniciativa foi de um suíço que se apaixonou por Natal e quis encontrar um trabalho bem original para viver no meio das dunas. Parece que encontrou, não é mesmo? 
 
Bom, e até hoje aquelas aves que esvoaçavam na estrada entre Caicó e Catolé permanecem uma incógnita para nós. "Gauços"... garças, talvez. Nem mesmo uma pesquisa no Google Imagem pôde jogar alguma luz sobre nossa dúvida. As garças que aparecem ali têm pouca semelhança com as "nossas". Ainda na tentativa de identificá-las, disponibilizamos mais algumas imagens:
 
 
 
Será que alguém tem algo a dizer sobre elas?


Escrito por Ana às 17h18
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No reino animal - 1

PRIMEIRO CAPÍTULO:
 
DO MAR... 
 
Além de sol e sertão, festa e comida, nossa viagem também nos colocou em contato com outras formas de vida.
Seu Mário foi nosso primeiro mestre no mar. A bordo de sua jangada de vela colorida, começamos nossa aventura.
 
 
Já idoso, Seu Mário remava pelas claras águas da Praia de Pajussara, em busca de um aquário natural que ele dizia existir. Não encontrou o que buscava, e acabou nos levando às já famosas piscinas naturais daquele lugar. Melhor que o passeio, foram as histórias que nos contou. E quando lhe perguntamos se era casado, nos respondeu:
- Tenho um xodó...
Mas foi em Fernando de Noronha que tomamos contato mais direto com  formas de vida bem diferentes da nossa: a fauna marinha. Ali golfinhos, caranguejos, moréias, tubarões, raias, polvos, tartarugas marinhas e dezenas de espécies de peixes povoaram nossos dias.
Os primeiros a aparecer foram os golfinhos. Voltávamos da Ressurreta, ponto de mergulho onde passamos a manhã do dia 30 de janeiro, quando eles surgiram ao lado de nosso barco. Alegres, nos exibiam suas habilidades nos saltos ornamentais.
Voltamos a vê-los mais tarde, durante o tradicional passeio náutico que leva turistas do mundo inteiro para ver o balé aquático desses graciosos cetáceos.
 
 
 
 
O ciclo diário dos golfinhos rotadores em Fernando de Noronha consiste em um movimento matinal em direção ao Arquipélago, chegando à Baía dos Golfinhos - área de descanso, reprodução e amamentação - logo após o nascer do sol. Permanecem ali até o início da tarde, quando seguem para outras áreas em busca de alimentação.
Grupos de turistas, acompanhados por um biólogo, são organizados para testemunhar a chegada desses mamíferos à Baía dos Golfinhos. Não fomos. Temos hábitos matinais bem diferentes dos nossos amiguinhos do mar.
Os primeiros sargentinhos apareceram na Praia do Leão. Podiam ser vistos nas pequenas piscinas naturais junto à areia ou em pontos só acessíveis por mergulho
com snorkel.
 
 
 
A Praia do Leão é também a favorita das tartarugas aruanas - a tartaruga verde. Protegidas pelos biólogos do Projeto Tamar, elas depositam ali seus ovos, que ao incubarem durante 50 dias originarão tartaruguinhas dispostas a penetrar no oceano e completar o ciclo de vida da espécie, voltando para desovar na mesma praia onde nasceram.
Mas não foi na Praia do Leão que encontramos os quelônios. Eles apareceram na Praia de Sueste. Eram de outra espécie: tartarugas-de-pente. Uma delas fez até pose para a lente de Ana Maria.
 
 
(continua abaixo)


Escrito por Ana às 17h00
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No reino animal - 1(continuação)

E a fauna marinha de Fernando de Noronha continuou seu espetáculo no nosso último dia na ilha. Embora chovesse, mantivemos nosso programa: caminhar por uma trilha até a bela Praia de Atalaia. Com freqüência controlada - só entram 30 pessoas por dia - e normas rígidas de comportamento, Atalaia é um verdadeiro aquário natural. Em suas piscinas rasas e cristalinas pudemos ver muito mais peixes do que nossas lentes conseguiram captar. Xeréu-branco, peixe-agulha, budião, sargentinho, donzela-das-rocas... todos desfilaram diante de nosso olhos maravilhados.
 
 
 
Ali estava também, um caranguejo terrestre, que passa a fase juvenil e adulta na terra e faz a desova no mar.
 
 
De repente, agito geral. Todos querendo ver a novidade!
 
E ali estava ela, bem debaixo daquelas pedras...
 
 
Uma bela moréia, nos olhava com cara de "Ué!
 
 
Mas... E os tubarões, raias, polvos?
Perguntem a Ana Maria. Ela desceu a 12 metros de profundidade para nadar ao lado desses monstros marinhos.
 
 
Acredite se quiser!
 


Escrito por Ana às 16h43
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Venha ver o pôr do sol

Envolvidos com tantos afazeres, muitas vezes nos esquecemos do espetáculo diário do pôr do sol. O astro-rei,entretanto, cumpre seu ritual a cada dia, criando momentos mágicos para os que se dispõem a contemplá-lo.
Sabiam que há até um "ranking" dos mais belos poentes no país?
O Guia Quatro Rodas 2004 informa que, da Duna do Pôr do Sol, na Praia da Jericoacoara, Ceará, pode-se contemplar o mais lindo pôr do sol das terras brasileiras. Em 2002, estivemos lá e pudemos comprovar: é mesmo indescritível. Naquela época ainda não tínhamos nossas máquinas digitais, por isso tomamos emprestada uma foto que faz justiça a essa beleza, para ilustrar nosso relato:
 
www.hightech.be/.../ braziljericofr.htm
 
De acordo a mesma fonte, o segundo pôr do sol mais belo do país acontece na Praia do Jacaré, na Paraíba. É uma praia fluvial, por onde passam as águas do Rio Paraíba.
 
É ali, que José Jurandy Félix, o Jurandy do Sax, executa diariamente o Bolero de Ravel.
No dia 23 de janeiro, estivemos lá para ver. Vestido de branco, empunhando seu saxofone, Jurandy inicia seu ritual às 17h30, num dos bares à beira do rio.
 
 
O saxofonista prossegue. Se encaminha lentamente para uma canoa e, tendo o espetáculo do sol ao fundo, continua a tirar de seu instrumento as notas da canção, até que o último raio solar desapareça no horizonte.
 
 
 
Há quem diga que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba eleborou um projeto que prevê o tombamento do pôr do sol da Praia do Jacaré como bem material, no intuito de preservar e proteger o local. Tomara!
Ainda nesse janeiro, pudemos presenciar o terceiro pôr de sol do Brasil: no Mirante do Boldró, em Fernando de Noronha, Pernambuco.
 
 
Ao final de um dia memorável, percorrendo a ilha de cabo a rabo, chegamos ao mirante. Ainda era cedo. O sol estava alto. Para acompanhar a merecida cerveja, uma surpresa: de um velho aparelho de som saiam as notas de "Cântico à natureza", na voz de Chico César e Nelson Sargento. Entre papos e fotos, o espetáculo aconteceu.
 
 
 
 
O fato de termos presenciado esses famosos ocasos não nos impediu de admirar outros - mais comuns, mas não menos belos.
Em João Pessoa, depois da tormenta que nos recebeu, o céu se tingiu de dourado e pudemos ter esperança de que o dia seguinte seria melhor... e foi.
 
 
Depois do memorável show nudista em Tambaba, nos pusemos a caminho de Campina Grande, que seria nosso pit stop na corrida para Catolé do Rocha. Era o fim de uma tarde de sábado. O dia tinha sido agradável: pouco sol , nenhuma chuva e muitas emoções. E o sol se escondendo entre  nuvens paraibanas.
 
 
E Natal, no Rio Grande do Norte, onde enfrentamos o dia mais chuvoso de nossas férias, soube nos recompensar com lindos tons dourados em nosso último dia de viagem.
 
Como o sol, a vida é bela, quente e colorida. Reclamar, quem há de?!
 
 


Escrito por Ana às 16h16
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Você já comeu bilau? (parte 1)

Comer e beber são, certamente, pontos altos na escala dos prazeres que uma viagem oferece. Não há dieta que resista a uma tapioca quentinha no café da manhã ou a uma casquinha de siri preparada com siri "de verdade". E o que dizer de jarras e jarras de água de coco fresquinha? 
Conosco não foi diferente.
Tudo começou no chuvoso domingo em que, depois do tradicional passeio às piscinas naturais, resolvemos revisitar o Bar do Pato, nosso velho conhecido, em Massaguera à beira da Lagoa  Mundaú, em Maceió: a fritada de bacalhau estava de dar água na boca... E o pirão que a acompanhava... Hum!
O grande pecado da gula teve continuidade dois dias depois, na linda Olinda.
 
 
 
 
Ali, no "Oficina do Sabor", com uma linda vista para a cidade de Recife, empreendemos mais uma grande aventura gastronômica: como entrada, queijo de coalho grelhado com ervas seguido de camarão no jerimum com molho de pitanga. Tudo regado a "Piturinha", caipirinha de Pitu. De brinde, ganhamos o copo onde a bebida foi servida.   E, como sobremesa, jaca, mangaba e caju secos. Alguém já comeu?
 
 


Escrito por Ana às 11h54
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Você já comeu bilau? (parte 2)

 
E a comilança continuou no dia seguinte, em porto de Galinhas, no Restaurante Beijupirá.

 
 
 
O sol havia dado o ar de sua graça e fazia muito calor, causando aquela malemolência gostosa que só pedia prazer, muito prazer. Foi aí que decidimos comer um bilau. Existe coisa melhor do que isso? Estejam certos de que não há prazer maior do que mergulhar um bilau na jaca... É uma entrada espetacular.
Temos certeza de que, sentados aí, frente ao seu computador, cada um de vocês está pensando: "Nunca esperei isso delas! Enfiar bilau na jaca! Isso já é demais!"
Pois fiquem tranqüilos, pois tudo isso é apenas produto de suas mentes criativas... e pervertidas. Bilau é um bolinho de peixe, que vem acompanhado de um chutney de jaca. E é servido como entrada no dito restaurante. Agora que tudo está bem esclarecido, vejam se é ou não uma delícia...
 
 
E para acompanhar tudo isso, só mesmo uma caipirinha feita no capricho, e muuuuita água de coco.
 
 
No Beijupirá, a grande pedida são os pratos à base do peixe que dá nome ao estabelecimento. Escolhemos um beijupirosca e um beijucanela.
Beijupirosca era feito com peixe, pinga, limão e laranja, tudo acompanhado de purê de macaxeira e arroz. Uma delícia!
 
 
Não menos gostoso era o beijucanela, composto de peixe envolto em canela, banana, arroz com açafrão e um molho de tamarindo.
 
 
Teve até sobremesa: sorvete de tapioca sobre um crepe de filhoses, regado a pinga e mel de engenho. É mole, ou quer mais?
Tanto o "Oficina do Sabor", como o "Beijupirá" fazem parte da Associação de Restaurantes da Boa Lembrança.

A Associação da Boa Lembrança nasceu em 1994 e reúne hoje inúmeros restaurantes no Brasil com o objetivo principal de difundir a boa gastronomia do país. Eles destacam um prato do cardápio e o oferecem como sendo o Prato da Boa Lembrança. Quem o escolher leva, depois, um belo prato de porcelana para casa, decorado artesanalmente, como lembrança do pecado cometido.

"Beijupirosca" era o Prato da Boa Lembrança. Assim, saímos dali com nosso troféu!

Em João Pessoa, nos deliciamos com fartura sertaneja do "Mangai". O que foi providencial, pois nos esperava um período negro em matéria de gastronomia. Nossa incursão pelo  sertão paraibano nos levou a almoçar num restaurante por quilo em Caicó que nada tinha de glamouroso. Tudo bem! Afinal, estávamos mesmo precisando fazer uma dieta... Durante esse lapso de tempo, nossa melhor refeição foi uma pizza regada a suco de graviola e cacau,  numa prosaica lanchonete de Catolé do Rocha.  

Mas, como não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe, terminamos nosso tempo de vacas magras comendo um sanduíche de queijo quente na cidade de Santa Cruz, a caminho de Natal.

Em Natal, que nos recebeu com muita chuva, tiramos a barriga da miséria no restaurante "Camarões". Quem não foi não pode perder. Bons preços e qualidade! E ainda tem caipirinha de pitanga de graça enquanto você espera sua mesa.

Terminamos nossa aventura gastronômica na Praia da Conceição, em Fernando de Noronha. Ao som de Cássia Eller e Eagle-Eye Cherry comemos nada menos que a especialidade da ilha: peixe na folha de bananeira. 

Bem, e não precisamos dizer o efeito que tudo isso produziu em nossos corpinhos, não é mesmo? Será que agora todos entendem o porquê das tarjas no relato anterior?



Escrito por Ana às 11h53
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nós fomos (parte um)

Capitais do Nordeste sempre foram um destino sonhado para nós aqui do sul.  Quem já não foi, ou pelo menos pensou em ir, que atire a primeira pedra.

Dessa vez, além das já famosas capitais, resolvemos inovar: planejamos incursões pelo sertão nordestino.  As chuvas janeiras impediram nossa primeira aventura sertaneja: Cabaceiras, no sertão paraibano do Cariri, na serra da Borborema.  Quem diria!  Chuva no Cariri, a região com menor índice pluviométrico do Brasil!  Será que realmente o sertão vai virar mar?

A chuva nos acompanhou por toda a viagem, mas não nos impediu de cumprir nosso segundo sonho sertanejo: conhecer Catolé do Rocha, terra que doou ao mundo, há exatos 40 anos, o genial Chico César.  Era um domingo chuvoso quando pegamos a estrada que nos levaria até lá.  E as cidades foram desfilando à nossa frente: Santa Luzia, Caicó, Jardim de Piranhas, Brejo do Cruz e, finalmente, Catolé do Rocha. 

     

 

     

 

Alvo Diolindo, nosso carrinho, nos acompanhou durante todo esse trajeto e, como nós, curtiu cada momento. Foi com ele que começamos a desvendar os mistérios de Catolé. Os hotéis: Xicu's ou Paloma? Escolhemos o Paloma... O colégio onde estudou o artista. A igreja, o centro cultural, o shopping, a feira, o correio, a prefeitura, a praça. A sorveteria, o restaurante...

    

 

    

 

    




Escrito por Ana às 23h36
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nós fomos - parte 2

E, finalmente, a visita à casa dos pais de Chico.

A família é simples. Ali estavam a irmã - Lúcia, duas tias velhinhas, duas sobrinhas e os pais: Seu Chico e Dona Etelvina. Situação constrangedora: estávamos ali, na sala de uma casa cujos donos eram estranhos para nós. Dona Etelvina se encarregou da conversa. Ao saber que havíamos estado no show do dia anterior, na praia de nudismo em Tambaba, disse que achava que aquele lugar era "desconveniente". Perguntou do filho e do show. Ofereceu café e pousada. Agradecemos tudo, tiramos fotos e saímos ao encontro de Alvo que nos esperava na porta.

    

No dia seguinte, 26 de janeiro, o filho ilustre de Catolé completava 40 anos de vida. Comemoramos sentadas na praça de guerra de Catolé do Rocha, escrevendo um postal para o aniversariante.

Momentos depois estávamos na estrada, rumo a Natal. Chovia fininho e no caminho paramos para tirar fotos de um imenso aviário natural. Disse-nos um nativo que eram "gauços"...

   

 Alguém conhece?



Escrito por Ana às 23h35
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peladas na praia

Foi num ruidoso cybercafé de Recife que vimos a notícia: Chico César faria um show em Tambaba - o paraíso naturista do nordeste - para comemorar seus quarenta anos.
 
Seria verdade, ou apenas um fuxico, como o nome do site que divulgava a notícia?
Buscamos confirmação e começamos a reorganizar nosso roteiro - já anteriormente alterado pelas chuvas - e a criar coragem para circular nuas por Tambaba.
Chegamos a João Pessoa numa chuvosa tarde de 22 de janeiro. Fomos para o Hotel Litoral, o preferido do aniversariante. Com sorte ele também estaria por lá. Não estava e não estaria. Pena!
Entre momentos de chuva e sol passamos dois dias na capital paraibana, curtindo a hospitalidade dessa cidade tranqüila e adquirindo a necessária ousadia para o dia 24. Afinal, essa seria a nossa primeira experiência!
Nos ocorreu ler os jornais, para sentir a repercussão da festa inusitada.
Os colunistas se dividiam.
Carlos Aranha, do "Correio da Paraíba", escreveu:
"... Chico César vai fazer um show comemorando a chegada aos 40 anos, subindo ao palco sem qualquer roupa. Não é apelação. É catolaica coisa de gente grande que vislumbra 'certas coisas' de qualquer lugar de onde esteja. com a coragem grande de poder dizer que sim."
Já Ricardo Anísio, de "O Norte", ironicamente comentava:
"Sem roupa, ele fará uma festa etílico-musical na afrodisíaca praia de Tambaba, na área reservada aos exibicionistas.
... esperamos que o Chico consiga encontrar a fórmula de atingir o sucesso sem fazer concessões demais."
E chegou o dia. Armadas de coragem, chegamos logo cedo à praia de Tambaba. Tiramos nossas roupas, recebemos as boas-vindas do segurança -  nu, claro - e nos dirigimos ao cenário do show - a Pousada Dom Quinzote.
 
 
Depois de um primeiro impacto, fomos ficando mais à vontade, ao ver que a
questão estética passa muito longe de uma praia desse tipo. Logo depois que nos instalamos, Chico César apareceu e ficou todo surpreso em nos ver. Conversamos um pouco e depois ele saiu para um mergulho.
Do mar, trouxe uma pedra. Achou-a parecida consigo mesmo.
 
 
Alguém consegue imaginar por quê?
Mais tarde, veio se sentar à nossa mesa, comeu um pouco do feijão do nosso arrumadinho e ficou ali, batendo papo conosco.
Quando dissemos que íamos a Catolé do Rocha - sua terra natal - nos aconselhou sobre o melhor caminho, nos contou que Mario de Andrade esteve por lá e nos recomendou que visitássemos sua família e levássemos um abraço seu aos pais.
E o show começou:
 
Alegre, Chico agradeceu a presença de todos  e se pôs a cantar o melhor de seu repertório. 
Na hora do bis, música nova: "Odeio rodeio", em versão revista e ampliada.
O público cantava junto e dançava feliz.
Em nossa mesa, estavam a namorada e a irmã do artista. Estávamos em família.
Fim da festa! Hora das fotos! Claro que não perdemos a oportunidade.
 
 
E, como ninguém é de ferro, Chico foi dar um merecido mergulho nas mornas águas de Tambaba, deixando em nossa companhia apenas suas sandálias, tão coloridas como o céu que nos protegia enquanto viajávamos para Campina Grande, nosso destino seguinte.
 
     
 
 
 
 


Escrito por Ana às 23h21
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Tá começando...

Vamos ver se dou conta dos meus planos: publicar aqui as histórias dos lugares por onde andei.



Escrito por Ana às 13h59
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